Devia permanecer o que um dia foi bom.Como os gostos sabidos, as músicas que nos levam longe, o carinho que ativa o desejo.Devia permanecer a decisão de fazer algo novo e permitir o tempo de assimilação.Deveria ser para sempre o sorriso de bom dia, sagrado, fiel, o abraço do adeus, os momentos em que se descobriu a alegria.Como é oculta a descoberta na idade das raizes, como o novo rápido, limpo e cru nos assusta e se perde nas paredes sólidas dos registros.Queria poder quebrá-los um a um, destrui-los e me sentir livre, nua depois.Queria acordar e esquecer o que sei e sair sem credos, laços ou destinos e simplesmente vislumbrar, desvendar , dar a mão, buscar o novo.Adoraria se pudessemos ter um pacto de mudar tudo, roupas, formas, conceitos e já que a vida não muda, mudemos nós.Queria pegar tua mão estrada à fora e te dar meus olhos para veres que o mundo pode ser diferente, que se pode vencer o inimigo sem machucá-lo com estratégia , que se pode transmutar mágoa em lágrimas doces, incompetência em desafios, luta em conquista.Queria te dar a sensação prazeirosa de vencer a si mesmo, a melhor delas, a verdadeira superação.Lembra dela quando começaste?Lembra quando quiseste construir, juntar, arranjar, montar as peças soltas?Lembras o trabalho árduo que foi nos aproximarmos?Devia permanecer o que um dia foi descoberto como bom, selado, sacramentado, definitivo, solo fértil para as eternas viagens e descobertas.