quarta-feira, 24 de setembro de 2008

O que me pertence são os meus sonhos, os meus desejos o meu acesso à alegria.Viver é acordar e colorir o dia, usar os recursos para pintar a realidade tão sabida. Os ritos nada mais são do que adensadores, criadores de importância, catalizadores de energia. O que seria comum pode tornar-se belo e denso. As velas, a mesa bem posta, não tornam o alimento mais saboroso, mas atraente. Assim como um cabelo escovado, uma pele dourada, um dia de sol. Cada pensamento bom, apenas cinco minutos dele, aumenta nossas defesas imunológicas. Cansa mesmo, são as investidas infrutíferas, as decepções, a repetição do problema, o previsível. Exaure viver a instabilidade do emocional do outro que acorda colorido e dorme no escuro. Aceito os infortúnios, as fatalidades, todos os erros que digam respeito a mim, as minhas escolhas. Portanto não acinzente meu dia, não espante meu sol, não faça eu desacreditar, não menospreze meu esforço diário para ser feliz. Cabe a mim trazer e abraçar meus fracassos. Cale se for verbalizar o medo, não volte se não for me abraçar com vontade, vá embora até encontrar o seu caminho. Coma da minha comida se dela puder nutrir-se, use as roupas que eu passei lembrando do tempo que investi, desfrute da casa arrumada reconhecendo que eu poderia estar fazendo algo bem melhor. Valorize o meu trabalho, as poucas horas que me dedico porque faço por amor e, graças a elas mantenho tudo e sempre funcionando. Aos poucos, a cada frase que a tela exibe, vou me afastando mais de tudo o que não vem de mim e descobrindo que a melhor companhia sou eu mesma pela simples opção de escolha. Pela liberdade de querer ou não, fazer ou não, ser ou não, abrir ou não as janelas, enfrentar ou não os meus demônios. Nascemos sós e assim terminaremos. Acrescenta se puder, mas não pesa!

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Cansaço

Eu durmo quando o relógio bate as horas que não temos.
Quando os adeuses não adensam os abraços e não ouvimos os sons dos nossos passos na porta.
Durmo quando a coberta faz o seu papel, quando o cigarro aquece o abraço, quando o corpo em fibra, tomba.
durmo quando o que aprendemos não se tornou seta, quando sou cotidiano e não meta, sou instante e não futuro.
Durmo quando nossos sonhos caminham para lugares longínquos e paralelos, quando andamos juntos e não somos elos e a memória da chegada é mais intensa que a da despedida.
Durmo quando ando pela casa despida e meu calor acende a vela, quando vejo o tempo escorrendo pelas mãos, quando não há desculpa nem perdão e nada que justifique a passividade diante do inevitável fim que se aproxima.