Eram muitos brinquedos, medos e ausências.
Um zelo exagerado de quem protege a ferida e compensa a perda.
Era a mãe que não assumira a filha, entregue aínda no berço.
E avós perfeitos, perplexos prontos a acolher a menina.
Era eu a criança, e sempre só ensaiava a dança do amor de mãe, da familia unida, do quarto colorido e o beijo antes de dormir.
Adorava um sapatinho mágico e sempre estava impecável, comportada , solicita como quem tem consciência e gratidão.
Eles me ensinaram tudo e eu retribuia com perfeição .
Minha mãe vinha de visita, moça, linda, e descomprometida.
Hoje, não sei aceitar presentes, me enrubece as faces , nem tão pouco comprá-los.
Me cobro demais, tudo impecável, como se do contrário, não merecesse á casa onde vivo.
Recebo amor do homem que me embala, me traz de volta e abriga em seus braços, o bebê do berço branco, a mulher da casa arrumada, o resultado da infância.