Sinto uma saudade imensa da minha filha.Coisa de mãe achar que ela precisa de meus conselhos ou que aquelas palavras prontas ajudariam em algum momento.Eu a amo, o amor mais cruel e puro, cruel por ser instinto e a fome dos instintos dói.Quero o cheirinho dela de menina, aquele suorzinho que fica perto dos fios de cabelo, a impaciência herdada de resolver tudo que a incomoda, a densidade que a faz tão bela e forte e fraca e confusa e minha.Me nutro de raiva de mim pelas escolhas que fiz e que hoje me impedem de vê-la.Me desgosta o que me tornei há alguns anos, por segurança.Não bebo, não como o que me possa fazer mal, tenho medos e medos de perder o pouco que adquiri e juro que gostaria de mandar tudo as favas em nome da única certeza que tenho, meu amor por ela.Que vontade de tomar um vinho e dizer o que não posso e não ser educada e dançar com meus amigos e viajar escutando Ana Carolina, a música mais devassa, a estrada mais perigosa, com minha filha ao lado, e à noite, escolhermos a roupa da festa .Saudade filha da mulher que encantava, que acreditava, que se permitia.Preciso dela e mais agora quando não estás.Não há um dia sequer que não pense em vender o carro colocar a mochila nas costas e ficar perto de ti, é quase um veneno. Ser tua mãe, linda menina é o maior tesão que tenho na vida porque de ti só vem o que me esgota, a adrenalina que me torna viva.Te amo!