quarta-feira, 29 de abril de 2009

Hora de partir.

É hora de partir quando já não há empatia entre os laços.Quando o abraço se torna um ato reflexo, quando se condicionam atitudes à gratificações.É hora de partir quando o carinho vira hábito, quando não há mais sentimento e o sangue nas veias já coagulou.hora de deixar para traz pessoas, história, rótulos impostos, fracassos.O filho que não respeita, a matriarca alienada , o algoz do passado.É hora de soltar os nós do compromisso, o peso da culpa, os restos e objetos carregados de lembrança.Momento de reiventar a dança, redecorar a casa, trocar as vestes pesadas de profissionalismo.Tempo de pegar o amor e a mala, o violão , a sapatilha, o livro, juntar os fragmentos que sobraram das decepções e seguir a estrada.Cidade nova, gente sem passado, a gente sem memória e um novo roteiro a escrever.Ainda que tarde, hora de crescer para as verdades, de acreditar nas novidades e nas surpresas, de dar o último grito, hora de simplesmente deixar os móveis que não saem do lugar, os critérios imutáveis, as toalhas de linho do século passado e o amor fingido, enquadrado, ensaiado e preso.Sabe-se que é hora de partir quando não se cabe mais no cenário e a inadequação pesa mais do que o suportável.A vida nos faz enxergar com olhos ilesos quando é hora de partir.

terça-feira, 21 de abril de 2009

Os medos do amor.

Longe dela serenamente pensava; onde encostaria aqueles cabelos macios , que almofada abrigaria seu descanso.
Quem acariciaria seu corpo quando se sentisse confusa.
Onde acalmaria seu desejo sempre ardente o qual nenhum tempo era suficiente para esgotá-lo.
E se , enquanto me distraio em trabalhos longos alguém souber acessar os sonhos dela, ou oferecer-lhe um café e uma conversa, ou simplesmente ao acaso esbarrar com ela na rua e sorrir.
E ela com seu encanto , ingenuamente acreditar na beleza do momento e soltar a imaginação romântica de uma mulher que acredita em sinais.
E se de repente um vento balançar os fios do seu cabelo e o sol iluminar os seus contornos e alguém impressionado simplesmente inventar o amor.
E se ela virar poema, música, destino, onde me colocaria em sua história?
Haveria recúo ao pensar em tudo que vivemos, em nosso eterno entendimento, em nosso prazer certo e cotidiano?
Optaria por mim diante da possibilidade do novo ou desejaria sentir cheiros novos, novos hábitos, surpresas.Meu Deus ! Ela adora surpresa.
E se ele gostasse de ritos, petálas de rosa espalhadas pela casa, flores nas datas e presentes e loucuras de amor?
Fui longe, confesso! E confio na lealdade do que ela sente por mim.Em nome do amor, que ela volte sorrindo, saudosa e linda para os meus braços.

terça-feira, 14 de abril de 2009

Mentira

Ela se prendia a portas fechadas, trancas e objetos à fim de manter-se ilesa.
Mentia para o futuro com seu eco de memórias.
Indefesa, agarrava-se a conceitos, normas e ditados inúmeras vezes adaptados para responder ao ritmo lento do coração que pulsava.
Ela ousava fazer planos de não realizar, viagens de não fazer, presenças de não estar.
E mentia para o dia que ansiava a noite, por medo de nem acordar.
Fixava nas paredes suas raizes de concreto, enquanto sua alma exausta gritava por liberdade.
Era fatalidade, a mentira da vida diante da verdade do tempo que finda.