Eu durmo quando o relógio bate as horas que não temos.
Quando os adeuses não adensam os abraços e não ouvimos os sons dos nossos passos na porta.
Durmo quando a coberta faz o seu papel, quando o cigarro aquece o abraço, quando o corpo em fibra, tomba.
durmo quando o que aprendemos não se tornou seta, quando sou cotidiano e não meta, sou instante e não futuro.
Durmo quando nossos sonhos caminham para lugares longínquos e paralelos, quando andamos juntos e não somos elos e a memória da chegada é mais intensa que a da despedida.
Durmo quando ando pela casa despida e meu calor acende a vela, quando vejo o tempo escorrendo pelas mãos, quando não há desculpa nem perdão e nada que justifique a passividade diante do inevitável fim que se aproxima.
Centelha
Há 11 anos
2 comentários:
Levou me a minha própria reflexão...
bjs
;)
Finalmente, escreves publicamente.
A última linha é quase minha.
Tua Irmã.
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