Eu me sinto exausta das roupas que a vida me veste, das preces que o real me impede, das dores que se atravessam em meu caminho.Me sinto farta de não poder dar a mão a quem dei meu sangue e não poder dizer ao destino que ele está sozinho.Sinto o tempo me escorrendo pelas mãos ainda ocas, secas de abandono, enrijecidas pelo trabalho vago e incerto que não fez estrada, não gerou caminho.Me sinto tensa de responsabilidades e plena de amor.Amor que me tira o sono, que me faz partir para a guerra e me revela filha de Kali.Amor que me faz criar raizes, rotinas, sorrisos que não tenho e invento naturalmente.Estou cansada para a vida que decide por mim a estrada e me torna presa quando alço vôo.E se é luta, que não venha a paz.Por submundos estarei ao lado daqueles que amo, que me sobraram e em nome da Deusa estes eu resgatarei, não para merecer a viagem, não para receber os méritos, mas para um dia, o dia derradeiro morrer de amor por inteiro.
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