quarta-feira, 29 de abril de 2009

Hora de partir.

É hora de partir quando já não há empatia entre os laços.Quando o abraço se torna um ato reflexo, quando se condicionam atitudes à gratificações.É hora de partir quando o carinho vira hábito, quando não há mais sentimento e o sangue nas veias já coagulou.hora de deixar para traz pessoas, história, rótulos impostos, fracassos.O filho que não respeita, a matriarca alienada , o algoz do passado.É hora de soltar os nós do compromisso, o peso da culpa, os restos e objetos carregados de lembrança.Momento de reiventar a dança, redecorar a casa, trocar as vestes pesadas de profissionalismo.Tempo de pegar o amor e a mala, o violão , a sapatilha, o livro, juntar os fragmentos que sobraram das decepções e seguir a estrada.Cidade nova, gente sem passado, a gente sem memória e um novo roteiro a escrever.Ainda que tarde, hora de crescer para as verdades, de acreditar nas novidades e nas surpresas, de dar o último grito, hora de simplesmente deixar os móveis que não saem do lugar, os critérios imutáveis, as toalhas de linho do século passado e o amor fingido, enquadrado, ensaiado e preso.Sabe-se que é hora de partir quando não se cabe mais no cenário e a inadequação pesa mais do que o suportável.A vida nos faz enxergar com olhos ilesos quando é hora de partir.

Um comentário:

Teoria do Caos disse...

Mesmo sem a tua capacidade de escrever, diria que amadurecemos a cada dia com as desilusões, nos tornamos mais lúcidos. Concordo com tuas conclusões e, quanto a mim, gostaria de ultrapassar a mágoa, afinal, os indiferentes não estão nem aí.