Era uma menina marcada pela ausência de pai.Eram diversas casas, quartos cedidos, mas nunca verdadeiramente seus.Uma presença sempre condicionada às imposições dos donos.Quando finalmente a vida lhe presenteou com um cantinho, era o seu quarto,sua caminha , sua familia, seu pai.Ela fugia aínda, como um bichinho que aprendera a ser solto, mas voltava a ser criança ao adentrar nos cômodos da casa.Era parceira, amiga , fiel, filha.Seu pai, amava ouvir sua voz de bebê chamando por ele, pedindo beijos antes de dormir, requisitando sua presença.Mas quando os filhos verdadeiros chegavam, o quarto não era mais dela, era preciso cuidado para não chamá-lo de pai na frente deles e qualquer carinho parecia um cabelo a importunar-lhe a face.Eles eram legítimos, eles tiveram um quarto, uma familia, um pai.E a filha emprestada, que nunca esquecera um aniversário, um abraço, um te amo, agora deveria ceder aos enfantes verdadeiros.Eles iam e vinham, quando desejavam, magoavam como quem pisa em flores e voltavam sorrindo, como se nada tivesse acontecido.E a menina tinha que sorrir também ou sair de casa.De preferência sentar na sala e assistir, aplaudir a bela voz que ela não tinha vivendo por osmose seu sonho inútil de cantar.Eles eram perfeitos, bonitos, bem sucedidos e unipotentes.Tinham o poder de afastar e atrair ao estalar os dedos e ela, não tinha nada que fosse realmente seu.A única vez que a filha emprestada sentiu bases no amor para dizer o quarto é meu, o pai é meu, causou-lhe uma mágoa profunda, e neste exato momento, suas cobertinhas desapareceram do roupeiro, suas coisinhas, seus livros, sua caminha cheia de bichinhos, se dissiparam como o vento.Queria poder ter dado a menina o quarto como uma verdade em sua vida, mas mais uma vez ela só pode ficar se entender que aquilo ali não é seu, que não pode causar constrangimento áqueles que chegarem para dormir.Cabe a mãe aínda que tardiamente lhe dar o quarto que será só dela, dar seu coração e seu colo para que ela possa enfim caminhar com segurança e um dia pintar as paredes de um verdadeiro lar.
Um comentário:
Mamis...aqui estou me sentindo em casa...tem minhas coisas, meu dinheiro, n tem nada que n me seja permitido e estou livre. Sinto uma falta danada de vcs, meus amores. Mas crescer aqui tá me fazendo bem. Ter que encarar minhas solidões todas, acordar e dormir sozinha e ter força pra tomar banho, limpar a alma e a casa, pra ninguém. O André mal para aqui dentro, tudo aqui tem um jeito que não é meu, mas combina com a maluquice da minha cabeça. Minha porta tem tranca, minha janela, laranjeira, a cama é a que eu escolhi, os móveis ainda não, só a mesinha que já chegou, que é pequena, mas é minha...vou pagar até o final, meu primeiro móvel comprado. \o/ Assim que a gente começa né? Debaixo. Agradeço pelo pai que tenho, apesar de tão humano quanto qq um. Eu amo o que ele pode me dar.Tanto faz quem vai ou volta. Interessa sempre quem fica, pequena. Eu sei do meu lugar. Mesmo que ele n seja ai. Por que na verdade, tua ti lindo aqui sempre aprendeu a ser de fora, não por mal, prefiro assim. Não gosto de dar satisfação, não gosto de ser social, nem fingir o que não sinto. É necessário pro convívio, porém penso que se não precisar, melhor.Não te machua a toa, nenê. Sempre seremos nós duas e quem masi chegar...lembra da música? =) Te amo
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